VMA, até quando?
VMA, até quando?

5 milhões. Foi esta a audiência obtida pelo canal principal da MTV americana com a transmissão do VMA no último domingo, 30 de agosto. É um número respeitável, mas, considerando que há apenas 2 anos o mesmo show ostentava um pouco mais que o dobro de telespectadores, é impossível não se perguntar: por que tal falta de interesse por uma premiação que, por muito tempo, foi considerada a segunda mais importante na música popular, ficando atrás apenas do Grammy?

Em primeiro lugar, há que se reconhecer que a internet de alta velocidade – apropriada para vídeos e streams – alcança novos usuários todos os anos, desencorajando o público a acompanhar a transmissão ao vivo pela televisão. Ora, é muito mais cômodo assistir os trechos importantes no dia seguinte do que encarar as 3 horas de show, cheias de rostos desconhecidos, intervalos comerciais e piadas tolas. Sim, a migração do público ajuda a explicar a queda na audiência, mas não a expressividade dela.

Tomemos como exemplo o American Music Awards, que entre as duas últimas edições perdeu apenas 1.3 milhões de espectadores – comparados aos 3.3 milhões que o VMA perdeu entre o ano passado e o corrente -, e o Billboard Music Awards, que ganhou 0.6 milhões de espectadores entre as duas últimas edições. Frise-se, aliás, que tanto o AMA quanto o BBMA, em suas transmissões mais recentes (2014 e 2015, respectivamente), superaram a marca dos 10 milhões.

Na internet, afirmou-se que, entre convidados e performers, haveria poucos nomes de peso no evento, o que explicaria o “pouco caso” do público. Isto é discutível. Justin Bieber, Nicki Minaj, Demi Lovato, Kanye West, Miley Cyrus, o show estava repleto de artistas populares. Além disto, o maior nome do pop atual, Taylor Swift, não só marcou presença no evento, como cantou ao lado de Nicki Minaj – apaziguando o pretenso desentendimento que as duas tiveram após a divulgação dos nomeados – e ganhou 4 prêmios, incluindo o de vídeo do ano.

Aliás, a presença de dois dos nomes mais importantes acima mencionados, Taylor e Miley, foi por alguns apontada como motivo para a baixa audiência. Miley, por suas conhecidas peripécias, poderia ter afugentado uma parcela considerável do público alvo do VMA. Já Taylor, que previsivelmente seria o foco da premiação – após um período de muitas conquistas profissionais e grande exposição na mídia -, teria alienado uma parcela do público que talvez não estivesse interessada em fazer parte do seu “#squad”. Isso também é discutível, pois nada garante que dar menor destaque às duas entregaria números melhores – até porque elas foram responsáveis por alguns dos momentos mais comentados no twitter, que fervilhou com comentários nem sempre elogiosos sobre o show e sobre os presentes.

Por sinal, essa tal a onipresença de Taylor no evento se deve, em parte, ao fato de os vencedores dos VMAs serem escolhidos pelo voto popular, através da internet, o que também é passível de críticas pois, de certo modo, torna a premiação um grande concurso de popularidade, deixando pouco espaço para surpresas e colocando em segundo plano o mérito artístico. Aí talvez esteja algo que mereça ser repensado. Quem sabe com mais nomeados por categoria e um corpo de jurados capacitado, a premiação não se tornasse menos previsível e mais divertida de assistir?

Em relação ao VMA de 2015, todos estes fatores podem ter contribuído para o resultado aquém do desejável, embora muitos deles sejam difíceis de sustentar. Uma coisa é certa: 2016 tem tudo para ser um ano agitado no mundo pop e isto deve se refletir positivamente na próxima edição do programa, o que não significa que os responsáveis pelo evento devam assistir tudo de braços cruzados – repensar o sistema de escolha dos ganhadores, apostar em apresentadores que consigam dar um tom mais leve ao evento (como o Globo de Ouro fez ao convidar Tina Fey e Amy Poehler), reorientar o programa para atingir um público mais variado, muito pode e deve ser feito.

É possível, ainda, que as polêmicas deste ano estimulem mais pessoas a acompanhar o show do ano que vem, na esperança de que momentos como o confronto no palco entre Nicki e Miley se repitam. Pode ser também que o desconforto gerado por esta “chamada na chincha”, pelos desentendimentos magicamente transformados em profunda amizade no palco e pelos figurinos e declarações de Miley – estrategicamente pensados para enfurecer os pais americanos – afugentem ainda mais o público alvo da MTV. Talvez planejar menos e dar espaço à espontaneidade dos artistas, como fizeram ao deixar Kanye falar à vontade após receber o “Vanguard Award”, seja o caminho – o momento mais comentado da noite nas redes sociais foi a tal candidatura à presidência do rapper.

Particularmente, me parece que mais do que qualquer dos argumentos aduzidos acima, pesa sobre o VMA – de um modo geral – o fato de ele ter se tornado uma premiação de nicho, uma noite quase inteiramente devotada a um público muito jovem e à música pop – a presença do rap e do rock, por exemplo, se resumindo a breves performances e, até mesmo, a prêmios entregues no tapete vermelho. Foi uma transformação natural, dada a relevância cultural que a música pop ganhou a partir do final da década passada. Entretanto, parece que este entusiasmo do público em relação ao pop está esmorecendo e talvez seja necessário dar espaço a outros gêneros e artistas.

Em meio a notícias recentes de baixa audiência, dispensa de funcionários e do fechamento da MTV Iggy – uma plataforma on-line para o lançamento de novos artistas -, a Billboard comenta que há rumores de que este VMA seria o último, o que foi imediatamente desmentido por um representante da Viacom, empresa proprietária da MTV. Se 2016 for proveitoso para a música pop como promete ser, é praticamente impossível não haver mais uma edição. Contudo, caso as coisas continuem no rumo em que estão, o futuro da premiação está em risco. “Até quando teremos o VMA?” é uma pergunta cuja resposta parece cada vez menos promissora.

E vocês? Gostaram do VMA 2015? Mudariam alguma coisa? Esperam algo em especial do VMA 2016? Contem tudo pra gente nos comentários!

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