Review Em Parcial: Selena Gomez renascendo novamente em “Revival”
Review Em Parcial: Selena Gomez renascendo novamente em “Revival”

Confesso: Nunca tive muita cabeça pra esses artistas provindos da Disney, Nickelodeon e afins, nem quando era mais novo. Pelo menos, até um tempo atrás. Não vou negar que amo algumas músicas deles, afinal, “A Year Without Rain”, fruto da moça pauta da coluna de hoje, ou “The Climb”, da Miley, eram e ainda são hinos pra mim. Porém, nunca fui muito de acompanhar carreira e etc. Isso mudou, é claro. Começou com a Miley, lá em 2010, com o início do seu break final com o mundo dos sonhos, o subestimado “Can’t Be Tamed”. De lá pra cá, fosse Miley, fosse Demi, fosse Ariana, o interesse foi aumentando, afinal, as moças foram crescendo e fazendo coisas cada vez mais distantes do primeiro grande ponto de suas carreiras. 2015 tá aí e, depois da abertura que o “Bangerz” trouxe pra esses artistas, vários deles estão voltando, tentando uma abordagem mais madura, tentando um novo público ou pensando no antigo, que envelheceu e perdeu o interesse. Nesse meio, vem Selena Gomez, depois de um tempinho complicado, com um novo trabalho, trazendo toda sua sexualidade e autoconfiança à tona. E aí Selena, what’s good?

I dive into the future, but I’m blinded by the sun. I’m reborn in every moment, so who knows what I’ll become

Esse amadurecimento de teen stars não é novo; quem é mais do começo dos anos 90 assistiu Britney, Christina e todas suas tentativas de “matar a criança”, até o sucesso do plano. Selena tem uma trajetória parecida com as veteranas: A menina começou lá atrás, em 2000, com 7 anos, atuando no programa do Barney. De lá até 2007, quando atingiu o estrelato como feiticeira da Disney, fez uma pontinha ou outra em filmes. Enfim, no finalzinho de 2009, depois de algumas participações musicais e trilhas sonoras, a garota se lançou na indústria como “Selena Gomez & The Scene”, que durou até 2012 e rendeu coisas como “Naturally”, “Who Says”, “Hit The Lights”, além dos hinos “A Year Without Rain” e “Love You Like A Love Song”. Passeando do pop-rock teen, no começo da carreira, até o dance bate cabelo, do último álbum como banda, “When The Sun Goes Down”, de 2011, ela flertava um pouco com o espanhol e sempre foi destaque, ainda que guardasse a imagem de Disney star.

Depois de uma pequena pausa, a moça voltou em 2013, já com uma proposta de amadurecimento implantada, sem banda, se entregando às pistas, com o ótimo “Stars Dance”. O album, que balança entre o pop e o eletro, não foi sua porta de entrada pro hall de artistas “veteranos”, seja pelo próprio trabalho, ainda envolto em uma pequena aura teen, até o furacão Miley, no mesmo ano, que roubou as luzes das concorrentes. Passando por um período pessoal complicado, ela lançou a coletânea “For You”, em 2014, com as inéditas “The Heart Want What It Wants” e “Do It”, e, no começo do ano, participou do hinão “I Want You To Know”, do Zedd.

Chegando no novo trabalho, nesse 2015 de amadurecimentos e autoconfianças renovadas, falemos, primeiramente, do carro-chefe, “Good For You”. O single chegou em junho e trouxe consigo uma nova versão da cantora, com um ar sexy, maduro, e uma letra de gosto duvidoso. Em um instrumental clean e crescente, Selena vem, com voz suave, quase sussurrada, cantando sobre ficar bonita para o boy, com a participação bem casada do A$AP Rocky. Difícil de digerir, mas super catchy, a música foi bastante criticada pela letra, que traz uma alusão de submissão, ao mesmo tempo que fala sobre autoestima e liberdade. Me limito à música em si, que é ótima e corajosa, afinal, não é certeira pras pistas, dá trabalho pros djs acharem um remix legal, e foi a apresentação perfeita para o novo trabalho.

Revival” chegou aos nossos ouvidos no último dia 9 e a atmosfera criada pelo primeiro single se concretizou. Bem diferente dos outros trabalhos da cantora, o álbum apresenta uma Selena confident, que passou por umas barras, mas que conseguiu virar o jogo, superar e ficou de boas consigo mesma. Apostando no menos é mais, o disco  possui poucas músicas diretas pra balada, seguindo uma linha mais calma, de batidas urban, quase experimental em alguns pontos. A faixa-título é o abre-alas, uma música forte, de instrumental um pouco confuso, mas ainda coesa, apresentando com exatidão o que vem pela frente. O hino e porfavorsejasingle “Kill’Em With Kindness” vem em seguida, aumentando as batidas do trabalho, mirando nos assovios distorcidos, que estão em alta, nos matando com gentileza, comercial até a última gota.

Hands To Myself” e “Same Old Love”, o segundo single, vem e trazem consigo um sentimento de “falta alguma coisa nessa música”, mesmo que continuem sendo bem boas. A primeira tem uma pegada parecida com “Good For You”, sussurrada, sexy, clean, enquanto o segundo single vai direto na veia pop do álbum. Um refrão mais explosivo ou um break mais marcado talvez ajudariam. Seguindo esse lado mais pop, “Me & The Rythm” grita single, mais coesa com a proposta do álbum que Same Old Love, e grudenta, gostosíssima. Ainda, temos “Body Heat”, em um clima mais latino, a mais agitada, porém, com um gostinho de deslocamento no contexto geral.

Sober” e “Survivors” estão lá pra manter o ritmo da coisa. Enquanto a primeira é um dos pontos altos do trabalho, numa pegada mais synth-pop, com um refrão bem chiclete, gostosa de ouvir e ficar cantarolando, “Survivors”, penúltima da versão standart, tem quase um quê de filler, talvez pela posição na tracklist. Os pontos fracos ficam com “Camouflage”, pendendo pra uma baladinha quase teen, um pouco genérica, e “Rise”, ainda que ótima, parece ter saído da trilha sonora de algum filme de princesas.

Nas versões deluxe, o album traz mais 5 músicas, entre elas, “Perfect”, “Nobody” e “Cologne”, que, pela sonoridade e lírico, poderiam entrar no corte final do standart, dar um pouco mais de sustância pro trabalho, que não chega aos 40 minutos, ou acabar enchendo a coisa demais. O acerto aqui é “Me & My Girls”, praticamente um pulinho da Selena no campo das Fifth Harmony, e “Outta My Hands”, que tem uma pitada “She Wolf”, NÃO entrarem no corte. Ainda que bem boas, as músicas não chegam na coesão final do trabalho, são apenas bônus mesmo.

Pra terminar, não dá pra não citar a capa do álbum, trazendo Seleninha linda e nua, sem vergonha de mostrar o corpão. Levando todo o trabalho em conta, o “Revival” é um passo enorme e corajoso na carreira da moça. Trabalhando letras mais maduras e sexuais de uma forma honesta, se expondo de forma delicada na arte do disco, em contrapartida com alguns acenos ao passado, Selena não vem falando “a garotinha morreu, agora sou mulher”, não é bem um renascimento, mas a nova etapa de um crescimento continuo. Diferente dos trabalhos que “matam”, o artista antigo pra dar vida ao novo e maduro, e ao contrário do que o título sugere, Revival faz parte desse avanço gradual de Selena rumo a uma carreira consolidada, sem vergonha do passado, aberta ao futuro.

E vocês, gostaram do Revival? Seleninha merece sucesso, sombra e água fresca? Ela ficou boa pra vocês? Comentem aí 

Até a próxima 😉

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