EM PARCIAL: WILD – Troye Sivan
EM PARCIAL: WILD – Troye Sivan

Que os deuses abençoem o Soundcloud, o Tumblr, aquela parte um pouco underground do Youtube e, agora, o Spotify, afinal, sem eles, muitos desses artistas que nós amamos escutar para pagar de conceitual, ou até mesmo alguns totalmente mainstream, nascidos dali, não teriam alcançado seu lugarzinho ao sol do grande público. Uma vez por mês (espero), vou falar de algum artista legal que está lá escondidinho, só esperando pra ser descoberto e amado, ou aquele em processo de parto para o mundo pop, pra vocês perderem uns minutinhos da vida escutando. Uns minutinhos, umas horinhas, uns diazinhos, umas semaninhas, uns mesesinhos, etc.

Kiss me on the mouth and set me free, but please don’t bite”. Alguém, por favor, me ajuda tirar essa música da cabeça, tá no repeat a semana toda. Troye Sivan nem é mais tão desconhecido assim, aliás, é até bem famoso. O rapaz de 20 anos, com rostinho de 16, tem mais de 3 milhões de inscritos no seu cantinho do youtube, onde produz um vlog, alguns covers, de Eric Clapton à Britney Spears, e apresenta suas músicas. Também é ator: fez o Wolverine novinho em “Xmen Origins: Wolverine”, de 2009, e é protagonista da trilogia Sul-Africana “Spud”, além de trabalhos em teatro. Conheci ele ano passado, com o “TRXYE”, seu ótimo EP de estreia sob o selo da EMI Records (antes, ele já havia lançado 2 compactos independentes). Me apresentaram como uma “Lorde” homem e, por mais errado que seja comparar artistas com o chavão “novo fulano”, o rapaz chega bem próximo da vibe da neozelandesa.

Ouvindo seu debut, uma produção de aura etérea synth-eletro-indie pop, naquela voz grave, melódica e bastante ecoada, o destaque fica nas letras, autorais, que casam bem com as propostas expostas pela Lorde, trabalhando entre metáforas e a despretensão-crítica, em assuntos mais banais da adolescência-juventude século XXI, além do sentimento de autenticidade musical, quando alguns que seguiram esse caminho não conseguiram alcançar esse “quê” de sinceridade em suas composições. “All the blazed eyes, empty hearts/ Buying happy from shopping carts/ Nothing but time to kill/ Sipping life from bottles”, do primeiro single, “Happy Little Pill”, lembra bastante o “But every song’s like gold teeth, grey goose/ Trippin’ in the bathroom…” de “Royals”, em construção e conteúdo, porém, soa verdadeiro. É diferente de escutar, por exemplo, um cover de Royals, feito por algum famoso, que soa legal, porém vazio.

O ponto de separação dos dois, em um bom sentido, acontece quando Troye se propõe a cantar mais sobre romance e relacionamentos, enquanto a menina segue uma vertente mais social, por assim dizer. Inclusive, o rapaz é gay e, em suas músicas, percebe-se a ausência de gêneros ou a utilização do “ele” para romance, deixando a coisa bem legal e corajosa, quando outros artistas, mesmo assumidos, mantém certa heteronormatividade musical. E o australiano coloca isso de formas ótimas, como em “Fun”, utilizando de alusão militar e um desenvolvimento lírico das estrofes bem interessante.

Chegando no seu novo trabalho, muito bem recebido pelo público, estreou na 5ª posição da Billboard 200, a produção e qualidade das músicas só se intensificaram, além do apelo comercial diferente, se distanciando mais da onda “lordiana”. “WILD”, ao contrário do que esperavam, segue como compacto, com 6 músicas, e vem com um amadurecimento lírico/melódico do cantor, além da melhor coesão entre as canções. Há, também, alguns experimentos, e são acertos: a ótima “Bite”, uma construção diferente das outras músicas, apostando na temática mais sexy-literal, parecida com a de “Touch”, em um instrumental que evoca um pouco de Melanie Martinez, e a interessante “DKLA”, trazendo a participação da rapper Tkay Maidza. Outra colaboração é com o duo neozelandês Broods em “Ease”, uma das melhores. Ainda temos “Fools” e “The Quiet”, que não se tornam fillers, mas não são tão destacadas quanto as citadas e o primeiro single, “Wild”.

A videografia do EP também pode ser bem vitoriosa: Troye anunciou a trilogia “Blue Neighbourhood” como divulgação do trabalho. A primeira parte veio no clipe de “Wild”, dirigido por Tim Mattia, e a história gira em torno de dois amigos de infância que se apaixonam e o problema com os pais dos garotos. Corajoso, porém fica o receio do projeto cair naquele velho clichê de produções com temática gay. Fiquemos (ansiosos, porque o primeiro vídeo é ótimo) no aguardo da sequencia.

WILD” é um dos trabalhos mais legais desse 2015 musicalmente morno, pelo menos até agora. É visível a evolução e o investimento crescente da gravadora no rapaz. A única questão é: Por que um EP e não um álbum? Não precisa esperar um smash acontecer, o debut-album desse moço já devia estar na nossa mesa desde “Happy Little Pill”, obrigado.

E vocês, conhecem o Troye? Gostam? Já pagaram o boleto do “WILD”? Vejam mais notícias sobre ele clicando aqui.

Até a próxima 😉

O melhor do Mundo POP, com a qualidade RDT que você merece!
« Post anterior Próximo post »
Notícias Relacionadas