EM PARCIAL: Um papo sobre Adam Lambert e o Queen
EM PARCIAL: Um papo sobre Adam Lambert e o Queen

Pra você que, como eu, estava perdido semana passada e não sabia que o Rock In Rio já estava aí, pois é. Desde o último dia 18, o festival está bombando no Rio de Janeiro, comemorando seus 30 anos, com uma line up “mais rock, menos pop”, grande clamor do público depois das edições de 2013 e 2011. De cara, a banda principal do primeiro dia foi nada menos que a lendária Queen, ou pelo menos, Brian May e Roger Taylor, que voltaram a trabalhar comercialmente com o grupo em 2011, com Adam Lambert nos vocais, já na estrada com o duo desde a volta. Inclusive, tiveram uma apresentação mais globalizada, com a nova formação, no EMA 2011, cliquem aqui para assistir.

Um histórico rápido sobre o Queen ou “onde você estava nos últimos 40 anos?”: Nascida em meados dos anos 70 com o quarteto Freddie Mercury, Brian May, Roger Taylor e John Deacon, a banda londrina atravessou as últimas décadas do século XX em uma mistura de glam rock, rock progressivo, pop rock e hard rock, ganhando mais sintetizadores conforme o tempo passava, deixando clássico atrás de clássico e marca atrás de marca no cenário musical. Não importa qual seu nicho preferido de cultura pop, garanto: o Queen já foi referenciado lá, seja em um sample de “We Will Rock You”, um cover de “We Are The Champions”, uma pose clássica do vocalista sendo lembrada ou uma estrela pop trazendo em seu nome um dos sucessos da banda. A banda foi até 91, quando Freddie morreu em decorrência da AIDS. John Deacon, o baixista, se aposentou em 95. May e Taylor promoveram a banda paralelamente desde então. Eles estiveram aqui em 85, no debut do Rock In Rio, e voltaram agora, depois de 30 anos, com 2 membros a menos, para matar a saudade dos fãs antigos e a curiosidade dos novos.

Quem não conhece Adam Lambert, como faz? O cantor, compositor e ator foi segundo colocado na 8ª temporada do American Idol, em 2009. De lá, lançou seu polêmico e ótimo debut, “For Your Entertainment”, em um mix de glam, pop e pop rock, com composições de Lady Gaga, Pink, Linda Perry, Ryan Tedder, entre outros. Ganhou visibilidade por suas performances polêmicas, em um ano lotado de Gaga-glam, que traziam muita dança, insinuações de sexo e pegação gay, tudo de melhor nesse mundo, não é mesmo? Em 2012 veio o segundo album, “Tresspassing”, que não fez tanto barulho, e agora, em 2015, lançou o ótimo “The Original High”. Trabalhou como ator na 5ª temporada de “Glee” e fez uma ponta ou outra em outras séries, como “Pretty Little Liars”. Adam é conhecido pelo seu visual fashionista-glam e sua voz potente, no maior estilo Aguilera pré-Lotus de ser.

E qual é a pauta desse textão? Bem, “Queen + Adam Lambert” é uma colaboração que vem de 2011 e já tinha despertado várias críticas, das mais sérias, falando sobre uma falta de sincronia com a banda, o público e a falta de energia de Adam, além das firulas vocais, até as mais desnecessárias, batendo no ponto da sexualidade do cantor e sua capacidade em uma banda de rock. Não foram poucos os “Queen agora é Drag Queen” que saíram nas mídias sociais durante o show de sexta. Em um momento tão delicado, onde militâncias minoritárias estão ganhando mais espaço e, com isso, sendo bombardeadas com tentativas de descrédito, é importantíssimo tocar nesse assunto. Ei, você, achando que o Adam é “gay demais” para o Queen, vamos falar um pouco sobre o antigo vocalista?

O ponto principal do Queen, sem querer desmerecer os outros integrantes da banda, sempre foi Freddie Mercury. É a sina das grandes bandas ter o foco maior em seus vocais, isso não é mistério. Quando se fala em Queen, imagens do cantor em suas icônicas poses e dancinhas no palco são evocadas instantaneamente. Seja o bigode, as imagens dele vestido de mulher em “I Want To Break Free”, ele no piano, a famosa foto com o Michael Jackson, ele na época do cabelo chanel, Freddie é a marca registrada da banda, querendo ou não. A sexualidade do cantor sempre foi uma incógnita, muitas vezes considerado bissexual ou gay, ainda que tratasse de forma implícita, às vezes quase explícita, sobre em suas músicas e vídeos, carregados de metáforas, glamour e drama. “Killer Queen”, por exemplo, um dos grandes sucessos da banda, que você, se é gamer, já deve ter tocado no Guitar Hero, traz toda essa aura. O envolvimento da sexualidade nas letras e o mergulho no mundo pop foi tanto que, no fim da década de 80, a banda era muito criticada pela mudança. Nos shows, talvez a grande diferença entre a antiga voz e a nova é o carisma, além das roupas um pouco mais carregadas por parte do Adam, enquanto Freddie era um pouco mais “livre”. Porém, se formos entrar no ponto “diva” em palco, termo absurdo, que muitos utilizaram pra descreditar o mais novo, desculpa, mas a diferença é mínima.

Em tempo, na performance do dia 18, podiam ter criticado até mesmo a setlist, que demorou pra engrenar. Critiquem a falta de energia do público, pra um show desse porte. Bater na tecla da identidade sexual do cantor NÃO DÁ MAIS. Entre um problema e outro, uma firula chata, uma interação morna e um single perdido no meio dos clássicos, a apresentação fez sim juz ao legado da banda, seja com Adam e seu leque em “Killer Queen”, seja Brian May, emocionado, cantando com o público “Love Of My Life” no violão, seja Roger Taylor, pouco reconhecido pelo povo, com uma das melhores da noite, “A Kind Of Magic”, ou Freddie, no telão, em trechos da opera-rock atemporal “Bohemian Rhapsody”. Ver fãs, principalmente os antigos, desmerecendo um show por uma coisa dessas só me faz pensar “Is this the real life? Is this just fantasy?”. É 2015, pessoal, temos até imagem em HD pra criticarmos as roupas e maquiagens das pessoas, por favor.

Pra quem não assistiu o show ainda, corre aqui. É de arrepiar ver os caras, depois de tanto tempo, com pique total e maior amor à música .

Até a próxima 😉

O melhor do Mundo POP, com a qualidade RDT que você merece!
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