EM PARCIAL – Resenha: Grace And Frankie
EM PARCIAL – Resenha: Grace And Frankie

Alô Alô Graças a Deus, vocês sabem quem sou eu? E aí gente, como vão vocês?

O que é melhor que uma estreia? Exatamente, duas estreias. Semana passada, minha colunínea já teve seu debut por motivos de: VMA e Miley. Porém, senti a falta uma apresentação adequada. Essa é a Em Parcial, novíssima coluna semanal do RDT Pop que, em breve, será conhecidíssima como a noite de Paris e poderosíssima como uma espada de samurai. Aqui vai ter resenha, vai ter dica, vai ter análise e tudo mais que aquele lá de cima pedir. Bora trabalhar?

Envelhecimento e 3ª idade estão cada vez mais em pauta na mídia, com temáticas muito além daquele clássico senhorzinho de novela das 9. Até as próprias novelas das 9 estão investindo em outro olhar para essa parcela da sociedade, apesar do fundo de sensacionalismo. Entrando no mundo pop, não precisa pesquisar muito e já vemos exemplos como Georgia Holt, também conhecida como MÃE DA CHER, lançando seu debut-album no alto dos seus 86 anos. A própria Cher, com seus 69 anos de idade e 1000 anos de carreira, é um exemplo incrível para quebrar com a nossa visão pobre sobre envelhecimento.

Todos concordam com o quanto a Netflix é rainha e que, quando sai material novo lá, o mundo fica em polvorosa. “Grace And Frankie” foi lançada em maio, mas demorou um pouquinho pra ganhar visibilidade. A série vem com Jane Fonda e Lily Tomlin, maravilhosas, interpretando as personagens do título. Enquanto Grace (Fonda) é mais sistemática e contida, uma ex-empresária e socialite, Frankie (Tomlin) é um espirito livre com sangue hippie, professora de artes para ex-condenados. O discurso do programa é, principalmente, como sempre há tempo de recomeçar, mesmo nos 70 e poucos anos, desmistificando amor, sexo, amizade e família.

A trama principal é sobre as duas, conhecidas de longa data, lidando com os maridos, que se assumem gays e pedem o divórcio, depois de 40 anos de casados. A partir disso, temos um desenrolar surtado e com aquele “quê” verdadeiro, com as mulheres tendo que reaprender a viver sem os companheiros. É bom colocar que, a primeiro momento, as duas NÃO são amigas, deixando a coisa bem fofa e muito engraçada,

Pegando tabus, como sexo, e tratando de uma forma simples, o show choca e diverte, falando, por exemplo, sobre ressecamento vaginal. Sim, ressecamento vaginal é uma realidade, lidem com isso. Piadas sobre viagra também são frequentes. Uma piada ótima sobre sentar na cara do Ryan Gosling também acontece. Quando Grace resolve criar um perfil em um site de relacionamentos, quem não se identifica? Causar essa aproximação com o público geral é uma das vitórias da série. Ouvir as duas discutindo sobre sexo e namoro é tão engraçado quanto educativo, quase um soco na cara de quem acha que a vida acaba aos 60. Drogas também são recorrentes, como no final do episódio 1, mostrando as duas louquíssimas na praia, depois de tomar um chá duvidoso, matando qualquer um de rir. Temas menos mistificados, como amor, solidão, trabalho, tecnologia, vão saltando e fluindo tranquilamente, sem forçar a barra. Frankie aprendendo a usar o computador e o twitter para comentar o concurso de soletrar é um grito de “quem nunca” no fundo da nossa cabeça.

O plot secundário, com o relacionamento dos ex-maridos, Robert e Sol, também é ótimo, contando sobre o amor dos dois, o namoro escondido, preconceito, “sair do armário” tão tarde, impacto na família e a relação com as protagonistas. Ver a alegria deles, com os “esperei 20 anos para poder fazer isso”, é de fazer o coração aquecer um pouquinho, ainda que fique uma pontadinha de raiva pelo descaso, principalmente de Robert, com as mulheres. O crescimento dos personagens como casal, desde morar juntos, até a primeira briga, o jantar forçado com os filhos ou a despedida de solteiro, se destaca junto com a química dos atores.

Como toda boa dramédia, temos um bom desenvolvimento da família. Bom, não ótimo. Alguns personagens ficaram pouco tempo em cena e podiam ter rendido mais. É o caso de Mallory, filha da Grace, com aparições ótimas, mas com uma história “poderia ser mais”, ou Bud, filho da Frankie, que não ganha uma trama fixa e fica de coadjuvante na dos outros. Claro, isso vai do tamanho dos capítulos, 25-30 minutos, e das temporadas-maratona da Netflix, 13 episódios, nesse caso. Mesmo assim, temos histórias ótimas, como Brianna, filha mais velha da Grace, e sua busca por um amor correspondido. A sequência da personagem adotando um cachorro e seu envolvimento com o dono do bixinho é de cortar o coração. A fixação de Coyote por Mallory e sua vontade de consertar os erros do passado também preenche esse espaço de tramas paralelas no programa.

Grace and Frankie, com toda sua simplicidade e humor, é mais um acerto da Netflix para nós, meros mortais. A série foi renovada (amém) e agora, como é de praxe, vem a sofrência até a próxima temporada, que chega só no meio do próximo ano. E você, já assistiu? Conta pra gente aí, nos comentários. Se não assistiu, menina, pega a pipoca e vai maratonar JÁ.

Até a próxima 😉

O melhor do Mundo POP, com a qualidade RDT que você merece!
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