EM PARCIAL – PLEASE, COME TO BRASIL
EM PARCIAL – PLEASE, COME TO BRASIL

Já faz um tempinho que nossa terrinha brasileira entrou na rota dos shows internacionais, sejam grandes estrelas com suas turnês lotadas de LED e castelos medievais, artistas menores lotando festivais alternativos do público amante de coroas de flores e óculos escuros, ou artistas mais indies, financiados pelos próprios fãs, para brilhar por aqui. Um dos memes mais legais e mais irritantes pros gringos surgiu disto. Queremos todos os nossos ídolos dando uma voltinha no nosso tropico, respirando nosso ar, tomando nossa água, bebendo um shot no barzinho da esquina, batendo uma bolinha no campinho ali do lado, se escondendo atrás das cortinas do hotel e fazendo farofagem turística. Porém, no meio da euforia de estar no mesmo espaço dos nossos amados, não percebemos alguns pontos que só servem pra aumentar ainda mais nosso papel de trouxa diário. Pegando o gancho da vinda de Katy Perry e Rihanna pro país, que tal pensarmos um pouco sobre a visão desses artistas sobre nós e o que eles nos oferecem em suas visitas?

Os fãs brasileiros sempre são elogiados, pelos artistas que passam por aqui, pela energia e carinho com que recebem os estrangeiros. Isso é fato. Além dos fãs fazerem campanhas e mais campanhas nas redes sociais para o ídolo vir, ainda vão recepcionar no aeroporto, no caminho pro hotel, na porta do hotel, saindo do hotel, no passeio pela praia, na entrada do show, depois do show… Quase uma procissão de Sexta-feira Santa essa escolta brasileira em cima dos cantores internacionais. Nos shows, a coisa só melhora. Raras são as vezes que o público está desanimado. Gritam e choram até quando não entendem os discursos em inglês. Jogam presentes, grupos vão com roupas e coreografias combinadas, vão fantasiados, gritam, pulam e esperneiam. É até engraçado pegar uma gravação de um show num território estrangeiro e comparar com um show no Brasil. Somos surtados e isso é ótimo, afinal, essa é a alma da festa. O problema começa quando os tão endeusados cantores chegam aqui e, por conta dessa cegueira fanática do público, exploram e tratam com descaso os fãs.

De 2010 pra cá, a maior parte da realeza pop e rock passou por aqui. De Lady Gaga a Queen, de Beyoncé a Paul McCartney, alguns já estão fazendo quase acampamento no país, vindo várias vezes num espaço curto de tempo. Chegam como um tornado, a mídia, dependendo do artista, faz todo um agendamento cultural em cima do cantor. Promoções à rodo, rádios tocando as músicas freneticamente antes e depois, fãs, dos cantos mais remotos do país, contando as moedinhas e procurando as melhores excursões para os espetáculos. E quando chega a hora do show, tudo parece maravilhoso, ainda que fique um sentimento estranho no ar. “Opa, parece que faltou uma parte aqui”, “Por que estão cortando essas músicas?”, “No que eu vi na internet, ela trocava de roupas mais vezes e interagia bem mais com o público”, “Por que o show foi tão curto?”, “Gente, será que aconteceu alguma coisa? Duas horas de atraso já”.

Ainda que o Brasil e a América Latina, hoje, sejam legs obrigatórias das grandes turnês, parece que não somos merecedores do pacote completo, mesmo que os preços sejam exorbitantes por aqui. Não só nessas áreas, mas qualquer parte ao sul do globo parece não ser digna do mesmo empenho das legs Norte-americanas e Europeias. Chegam aqui com ingressos abusivos, falta de estrutura, shows cortados e encurtados, atrasos absurdos e, muitas vezes, nem o mínimo de compreensão com países que não tem o inglês como língua nativa. Nem as perucas estão cabendo nas malas. É claro, como fã, o mais importante é ver o artista e todo o carisma e energia dele em palco. E quando até isso está em falta, como faz? Chato, né?

Claro, é caríssimo trazer uma turnê pra cá, principalmente essas com palcos super elaborados e 2000 efeitos especiais, o que se reflete no ingresso e é justo. Não é justo quando o ingresso continua o mesmo e o espetáculo chega parecendo um quebra cabeça incompleto. Não é justo os fãs venderem os órgãos par ir em um festival por conta de um artista e este não aparecer por falta de organização. Sim, falta de organização, shows não são coisas simples, que se apertam na agenda entre uma coisinha e outra. Não é justo recebermos falta de profissionalismo. Lembrando sempre: a culpa não é só dos artistas, empresários e da produtora, sempre temos que levar em conta as empresas que trazem os benditos pra cá e amam afiar a faca pra cravar nas costas dos fãs.

No fim, o que importa no show é a diversão e a transcendência que o ídolo vai trazer. Seja com vaginas gigantes infláveis, passarelas triangulares, pole dance, espuma, muito led, blasfêmia ou dança de bonecão de posto, se o artista cumpriu sua proposta de entreter e transmitir sua mensagem, já basta. Só não sejamos cegos quanto a esses desrespeitos camuflados que ganhamos de brinde quase toda vez. Merecemos SIM o espetáculo completo. Please, come to Brasil, mas vem com tudo, amore.

E você, já foi no show do seu ídolo? Curtiu? Faltou algo? Arranjou treta com algum fã de cantora rival lá no meio? Conta aí pra gente.

Até a próxima 😉

O melhor do Mundo POP, com a qualidade RDT que você merece!
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