EM PARCIAL – ESPECIAL : VAMOS FAZER CHECK-IN NO HOTEL CORTEZ?
EM PARCIAL – ESPECIAL : VAMOS FAZER CHECK-IN NO HOTEL CORTEZ?

Desde fevereiro, o mundo pop estava esperando a première da nova temporada de American Horror Story. A série antológica que, em qualidade, não andava muito bem das pernas, mas em popularidade está em seu auge, fez uma jogada arriscada, aliciando uma das maiores artistas dos últimos anos, que passava por uma reforma imagética drástica, para o elenco. Não só isso, a temporada, de alcunha “Hotel”, pesou a mão na publicidade em cima da cantora e ainda jogou o peso de protagonista em suas costas,  recebendo muitas críticas, mesmo que despertando total curiosidade sobre o que estaria por vir. Cá estamos, na Season Premiere de AHS: Hotel, ou AHS: Lady Gaga, como brincaram durante a divulgação. Depois das famigeradas “Coven” e “Freakshow”, devemos abrir espaço na nossa grade para fazer check-in no Hotel Cortez?

Quando Hotel foi anunciada, já colocando Gaga nos holofotes, o sentimento do público foi de aposta: se funcionar, vai ser ótimo, se não, o fandom logo ia começar debandar, afinal, ninguém é obrigado a assistir coisa mal feita. De cara, a premissa de um hotel de horrores é bem pretensiosa, evocando vários títulos, desde o icônico “O Iluminado”, até “O Albergue”. A soma disso ao vampirismo da personagem de Gaga, dona do Hotel, Elizabeth Cortez, traz outras inúmeras referências e receios. Confesso que, depois dos últimos títulos vampíricos que assisti e li, com exceções, essa praia me deixa com todos os pés atrás. Jogando vício, sexo, sangue e claustrofobia como a aura da história, pelos deuses! A curiosidade foi lá pra cima e o medo de dar errado pegou carona no elevador.

E como foi o check-in? As imagens que saíram do set não fizeram jus a grandiosidade do cenário. O hotel é um personagem, assim como a casa e o hospício eram personagens de suas respectivas temporadas. Um show de arquitetura e perfeccionismo, com uma atmosfera labiríntica, sufocante, obscura, simétrica e desgostosa. Alinhada a uma cenografia tão boa quanto, os quartos e principalmente os corredores te engolem. E não fica só no hotel. A delegacia e os cenários exteriores trazem esse mesmo tom. O quarto 64 é medonho, o hall de entrada é amedrontador, a sala das crianças é perturbadora, o quarto da Condessa é glamouroso, tudo numa tonalidade noir, combinado com letreiros neon. Vale destacar a trilha sonora, quase sempre certeiras nas produções de Murphy. Por mais passada que “Hotel California“, do Eagles,  seja, me arrancou um sorriso pelo casamento perfeito com a cena. Só pela parte técnica, você deveria dar uma passadinha pelo Cortez.

Sobre os personagens e todo hype criado: até o momento, já que estamos falando de uma première, espelham as descrições e dezenas de entrevistas. Os destaques ficam pra Sally, de Paulson, surtada, rancorosa e sexy, deixando gosto de quero mais. Iris, de Bates, é outro acerto, explorando o melhor lado da atriz, o lado “Misery“, dramática e obcecada, um papel digno, depois da cabeça na caixa e a mulher barbada depressiva. O episódio gira mais em torno de John Lowe, do Wes Bentley, sem barbas exóticas dessa vez, e ainda é muito cedo pra determinar se ele vai seguir um lado mocinho chato, porém, a carga de tristeza e raiva do personagem é aparente e ótima.

Como não vimos muito de Donovan, de Matt Bommer, pelo menos não de atuação, mesmo que o rapaz pareça bem interessante, só nos resta falar das duas Elizabeths. Uma, apenas Liz, a drag queen-barman do Denis O’hare,  um personagem fantástico só por existir; em cena, já mostrou que veio pra transitar entre os núcleos sendo apenas maravilhosa. A outra, a tão esperada Condessa Elizabeth, de Lady Gaga. E aí, Gaga entregou? Depois de tanta coisa jogada em cima da cantora, olha, ela se saiu bem. A sequência de apresentação, com direito a “Nosferatu“, muito goticismo, sexo e litros de sangue, foi ótima. A Condessa deixou essa dúvida vampírica no ar e vamos ver como tudo vai seguir a partir daí. Vale citar Miss Evers, a faxineira, que apareceu bem pouquinho, mas já colocou uma marca de loucura no ar, e Marcy, a corretora, voltando lá da primeira história pra falar um oi. Ah, e claro, não posso esquecer do “Addiction Demon”, o monstro da vez, que chegou com o pé na porta, arrombando tudo. Rs.

O problema, que vem em todas as confecções de Ryan Murphy e cia, é a construção do episódio, quase imitando uma linha poética de inversão de ordens, deixando todo mundo confuso, junto com os cortes rápidos. E confusos não de uma forma boa, afinal, confusão é um elemento bem explorado em suspense/terror/horror. Em uma narrativa mais simples, como a de “Murder House, não é tão problemático, mas, talvez, em Hotel, com essa avalanche de informações visuais do próprio cenário, diminuir um pouco esse ritmo poderia ser um acerto. Ou não, pois pode acabar na monotonia de Freakshow. Sem contar alguns erros de continuidade e os furos no roteiro, mas isso só chega depois. Oremos.

Por fim, mas não menos importante, voltemos à Gaga. A estreia de Hotel foi um evento pop e, como já li em alguns lugares, levou a ideia de artista pra outro nível. Vamos ter Gaga toda semana por alguns meses. Não é um filme, é semanal. A imagem dela vai morfar pra outra coisa que ainda não temos muita ideia. Pode ser um grande acerto, conquistar novo público, aclamação e etc, reforçar a ideia de “artista completa”, ou o mesmo erro de desgaste de imagem de sempre. O importante é: com a junção de Gaga no elenco, a série uniu 2 públicos não tão distintos, quando todos escutam alguma música e veem alguma série, mas com visões bem diferentes sobre mídia, publicidade e imagem. Vai ser no mínimo interessante ver como isso vai se desenvolver.

Não esquecendo: Esse é apenas o primeiro episódio. Pode dar tudo certo, pode desandar e pode ficar just ok. Só resta esperar pra ver. Por enquanto, meu check-in foi feito com gosto, só não no quarto 64, por favor.

Mas e aí, curtiu o Hotel Cortez? É fã de AHS? E de horror/terror? Conta aí pra gente

Até a próxima 😉

O melhor do Mundo POP, com a qualidade RDT que você merece!
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