EM PARCIAL: É HORA DE MØZÃO
EM PARCIAL: É HORA DE MØZÃO

Do you recall, no long ago, we would walk down the sidewalk”; quando os primeiros acordes da música aparecem, os versos chegam, num vozeirão rouco e agudo, todo moleca, e a balada grita “PARA TUDO QUE ESSA É MINHA MÚSICA”, dá até um orgulhinho ver que a moça está ganhando seu espaço, ainda que só em um feat. Com single-hino novo anunciado para o dia 15, o papo essa semana é sobre a . Prende o cabelo numa trança única, põe um shortinho curto, dá um rebolado exótico e vem.

Karen Marie Ørsted, mais conhecida como MØ, ou MØzão, para os íntimos, é uma cantora e compositora dinamarquesa. Na casa dos perigosos 27 anos, a moça é a voz de um dos melhores hits de 2015, “Lean On”, do grupo Major Lazer, também conhecida como “a banda do Diplo”. Falando nele, o produtor praticamente apadrinhou ela, numa relação meio Gaga-RedOne / Pink-Max Martin, e já produziram várias faixas, desde a ótima “XXX 88”, do debut da menina, o hino “All My Love”, da trilha sonora de “The Hunger Games: Mockingjay Pt. 1”, escrito pela cantora, produzido pelo duo e cantado pela Ariana Grande, até um cover poderoso de “Lost”, do Frank Ocean. Pra completar, Diplo está confirmado também no novo single da cantora, “Kamikaze”.

Muito antes de entrar pro mundo pop, lá pelas bandas de 2007, ela e uma amiga formaram o duo eletro-punk “MOR”, que durou até 2012 e deixou de herança, na nova fase da cantora, toda a identidade visual agressiva-desleixada-rainha do posto de gasolina. Em 2013, MØ começou a trabalhar no seu debut, que só veio sair no comecinho de 2014, o maravilhoso “No Mythologies To Follow”, um dos melhores trabalhos do ano. Investindo em uma sonoridade que passeia entre o alternativo e o pop, o álbum é uma explosão de sobreposições vocais, órgãos, batidas eletrônicas, trompetes, riffs de guitarra e sintetizadores, uma bagunça totalmente organizada, coesa e bem feita. “Fire Rides”, faixa que abre o álbum, faz uma apresentação bem fiel do que está por vir.

Como uma das promessas de 2014, principalmente pelo hype em cima dos artistas de vibe mais alternativa pós-Lorde e Lana, foi bem triste assistir a garota não ganhar mais crédito, por ser uma artista bem mais interessante do que muita coisa que surgiu no ano. Não só no instrumental, que beira um mix de Yeah Yeah Yeahs, Grimes e Lorde, a moça se destaque no lírico bem característico. Com uma ideia de fuga e road trip presente na maioria das letras, evocando bastante a natureza ou a paisagem urbana, as músicas são carregadas de um tom de revelação e revolta, que vão de encontro com o nome do álbum e toda a imagem da moça. Mesmo que não esteja na música, dá pra notar, com devida atenção, o dedo dela em “All My Love”, por exemplo. Identidade musical, produto em falta no mercado hoje, é uma das coisas que vemos de sobra nela. A videografia da MØzão também é bem boa, traduzindo todo seu trabalho, com muita dança freaky, carões, baixa saturação, um pouquinho de non-sense, rabos de cavalo e shortinhos.

O erro, que fez com que ela não entrasse direto no mainstream, veio do fatídico feat com Iggy Azalea, no primeiro single do “Reclassified”, “Beg For It”. Como se a música não fosse fraca o suficiente, sem um pingo da identidade da cantora, soando praticamente como uma demo do smash-hit “Fancy”, tanto em estrutura, quanto na letra, na primeira apresentação ao vivo da música, no Saturday Night Live, o mesmo daquela apresentação da Lana, em 2012, MØzi teve N problemas, de sincronia à nervosismo, e foi metralhada pelo público. Depois, somado ao desempenho mediano da música nos charts, o videoclipe também foi cancelado. Vale lembrar que a cantora também participou no hino “One More”, da Elliphant, com direito a maquiagem de gueixa, sapatos de luzinha e beijo lésbico no vídeo, e “Dear Boy”, do Avicii, do álbum “True”, que não é erro, mas também não é bem acerto, é só um just ok.

É aí que entra “Lean On” como uma limpeza de imagem superpotente. O primeiro single do “Peace Is The Mission”, do Major Lazer, em parceria com o DJ Snake, explodiu nos charts. A música traz, ainda que com uma letra não tão forte, toda a aura da artista misturada ao melhor dos DJs. O vídeo, me abstendo de falar de apropriação cultural, chegando com coreografia catchy, cultura indiana e MØ com sua dança exótica, que todos copiamos na balada, só foi um up. Figurando no top 5 da Billboard, é o primeiro passo da moça para o reconhecimento atrasado.

Além de tudo isso, vale lembrar, com muita tristeza porque não fui, que a cantora passou pelas nossas terrinhas em maio, com o pedido eterno de “please come to Brasil” e o financiamento dos fãs, através da plataforma “Queremos”. Em palco, diferente do que vimos no SNL, MØzão arrasa, pula, dança, rebola, se joga e é uma fofa, basta viajar pelos inúmeros lives que estão no canal da cantora ou vídeos de fãs para comprovar. Ela também fez esse vídeo fofíssimo sobre a passagem pelo Brasil, confere aqui.

Por fim, MØzi MØzi está voltando, assim como Lady Gaga, para acabar com nossas vidas. O primeiro gostinho do próximo trabalho da cantora, “Kamikaze”, chega no dia 15. Se formos nos basear no seu último buzz, o cover de “Lost”, música do Frank Ocean, que tem até download gratuito, já podemos esperar hino. Será que é agora o reconhecimento? Vem rezar e torcer com a gente, nesse time que coloca O’s com barrinha no nome.

E aí, ansioso pra “Kamikaze”? Já teve um minutinho pra palavra de MØzão? Conta aí nos comentários 

Até a próxima 😉

O melhor do Mundo POP, com a qualidade RDT que você merece!
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